Sabotagem - One Post [Azriel]

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Sabotagem - One Post [Azriel]

Mensagem por Azriel em Sab Jun 11, 2016 7:09 am


Sabotagem





  A esfera de borracha, que tinha recebido o carinhoso nome de bolinha, se chocava contra o chão, era rebatida para a parede e então voltava para a mão de Azriel. Esse ritual monótono se repetia seguidas vezes, em uma espécie de desafio ao tédio.
  O anjo detestava estar na Terra. Não havia nada no reino dos humanos para o entreter. Sabia que estava ali para cumprir algum objetivo, mas não sabia qual. Apenas foi ordenado que descesse à Terra e aguardasse novas instruções.
  Bem, já fazia três dias que estava ali, e até agora nada. O apartamento caindo aos pedaços fedia a mofo e estava com a tinta das paredes descascando e cheio de infiltração. Havia apenas uma cama de solteiro com o lençol rasgado, uma TV que não ligava e um telefone na parede. Azriel estava sentado no chão, com as costas apoiadas na lateral da cama, arremessando a bolinha. Essa era uma queda em um ângulo de noventa graus até o chão, se comparar a qualidade de vida que ele levava no Paraíso até vir para esse lugar.
  O telefone começou a tocar. O anjo segurou a bolinha e arqueou a cabeça para olhar o aparelho. Ninguém além do senhorio tinha o número desse apartamento, e duvidava que este se importasse em falar com os inquilinos. Terceiro toque. Se levantou e foi atender. Assim que encostou o telefone na orelha ouviu a voz feminina da sua superior:
   - Temos informações sobre um recrutador do outro lado agindo nessa cidade - disse, sem rodeios. - Ele é um demônio que atende pelo nome de Az'ho, mas costuma usar o pseudônimo de Mark Zereff. Precisamos que localize e elimine-o, antes que traga mais mundanos para o seu lado.
   - Oi pra você também. Então querem que eu sabote os planos de nossos amigos lá de baixo? - O anjo disse em tom displicente. - Bem, devo ficar grato por não terem me esquecido nessa latrina, suponho.
  Não houve resposta por alguns instantes, então quando a mulher do outro lado falou sua voz estava menos robótica e formal.
   - Azriel, tentamos te contatar o mais rápido possível, mas precisávamos reunir mais informações. Az'ho tem recrutado muitos seguidores, e cada novo aliado que o Inferno ganha é uma chance a menos de vencermos essa guerra e resgatarmos nosso pai. Você precisa eliminar ele o mais rápido possível, Azriel.
  O anjo respirou fundo, então disse:
   - Muito bem, onde ele está?
  A voz do outro lado da linha pareceu se animar.
   - Não sabemos ao certo, mas você pode rastreá-lo a partir dos seus recrutados. Há um ninho pequeno de vampiros que se aliou a ele a poucos dias, pode anotar o endereço?
  Ele rabiscou no canto da lista telefônica e então rasgou a página.
   - Boa sorte, Azriel.
   - Também senti sua falta, Soph.
  Então a linha ficou muda. O anjo caminhou até a cama e recolheu o seu casaco, depois abandonou o apartamento desejando nunca mais voltar ali.


  Era fim de tarde, Azriel fez todo o caminho andando até o endereço que não ficava muito longe dali. Haviam poucas pessoas nessa parte da cidade, e menos ainda na rua à essa hora. Portando, não viu ninguém além de alguns bêbados e mendigos até chegar no suposto ninho, que se consistia em um apartamento de dois andares.
  Parou defronte ao prédio, analisando a varanda com um certo interesse. Sabia tudo sobre essa raça de vampiros, mas nunca tinha visto um pessoalmente. Não estava de fato preocupado, para ele eles eram apenas uma espécie de humanos mais selvagens e fortes que o normal. Caminhou até a entrada pensando se tocava a campainha, mas o problema é que acabou descobrindo não haver uma campainha, então simplesmente empurrou a porta que estava destrancada e adentrou o apartamento.
  O hall era simples e não encontrou ninguém lá, então seguiu andando até a sala. Havia um forte cheiro de podridão naquele lugar, e em alguns lugares do carpete era possível ver marcas de sangue.
  Azriel examinava os livros sobre a estante quando ouviu a voz atrás dele, fazendo com que se virasse.
   - Procurando alguma coisa?
  Parado sob o arco que dava entrada à sala havia um homem calvo, aparentando ter uns trinta e poucos anos, usando roupas surradas por baixo de uma jaqueta cinza rasgada.
   - Na verdade, sim - disse, com a voz tranquila encarando o homem. - Procuro por um sujeito chamado Az'ho, ou talvez Mark Zereff, já ouviu falar?
  O homem rio.
   - Antigamente, íamos atrás da comida. Hoje, ela vem até nós usando um casaco horrível. - Então mostrou as presas.
  O anjo olhou para o próprio casaco, no momento em que o vampiro saltava sobre ele, mas bastou que levantasse a mão e a criatura foi arremessada contra a parede por uma onda telecinética. Ele manteve a mão estendida na direção do homem, o prendendo contra a parede um metro acima do chão.
   - Q-quem é você? - Balbuciou.
   - Pode me chamar de Azriel - disse, enchendo uma taça com uma garrafa de whisky que havia ali usando a mão livre e bebendo um gole. - Agora, onde encontro Az'ho?
   - Não conheço nenhum... Essa coisa aí que você disse.
  O anjo revirou os olhos.
   - Mark, Mark Zereff, eu sei que ele esteve aqui. Onde está agora?
   - Eu não...
  Azriel começou a fechar a mão, e com isso foi comprimindo a traquéia do homem com a força telecinética. Não tinha certeza se vampiros precisavam respirar, mas certamente não era confortável ser estrangulado por mãos invisíveis.
   - Vou perguntar uma última vez, onde ele está?
   - Eu não... fôlego...
  Afrouxou o aperto.
   - E então?
   - Eu sei onde ele pode estar, posso te levar lá, se me soltar daqui...
  Azriel pensou por um instante, então permitiu que ele se soltasse e caísse no chão.
   - Ótimo - colocou a taça sobre a mesinha e caminhou para a saída. - Mas se tentar me enganar, eu mato você.
   - Se fizer isso, minha família irá atrás de você - disse, também indo até a saída.
   - E então eu mato a sua família.


  O vampiro o levou até uma espécie de bar e danceteria no subúrbio, com a aparência um pouco melhor do que a dos outros dois últimos lugares em que havia estado. Pararam na porta, onde o anjo podia ver que não haviam muitas pessoas lá dentro. Umas doze, ou quinze, no máximo. Sentadas nas mesas e no balcão, ou em pé na pista de dança.
   - É aqui - o vampiro sussurrou. - Espere aqui e tente não chamar atenção, vou ver se o encontro e...
   - QUEM AQUI É AZ'HO? - o anjo gritou.
  Imediatamente se fez silêncio. Todos olharam para os dois recém chegados, o vampiro parecendo com quem queria se mandar dali o mais rápido possível.
  Um homem veio andando até eles, enquanto com uma mão fazia sinal para os outros voltarem a fazer o que estavam fazendo. Vestia um terno preto e mantinha os cabelos em um ângulo estranho para os lados.
   - Ora, ora, ora, se não é um dos meus queridos pombos - falou, se referindo a Azriel, então olhou para o vampiro. - Por que o trouxe aqui, Mick?
   - Ele me obrigou - o vampiro chamado Mick olhava para o chão.
   - Imagino. Bem, cuido de você mais tarde. Meu interesse é em saber o que trás um dos soldadinhos do Céu até a minha cidade. - Se voltou novamente para o anjo.
   - Talvez prefira ir para um lugar mais em particular - Azriel disse, olhando para as pessoas que dançavam ao som de uma música dos anos oitenta.
   - Mas é claro, me acompanhe.
  O demônio se virou e se afastou com passos calmos. Azriel o seguiu, e o vampiro também após pensar um pouco.
  Subiram uma escada que levava até um escritório no andar superior, não muito grande, mas com uma boa visão da rua lá em baixo. Assim que pararam, o vampiro se adiantou.
   - Senhor, me desculpe, ele me forçou a traze-lo até aqui.
   - Mentira - Azriel falou.
   - É verdade, ele me obrigou...
   - Ele veio porque quis.
   - Ele...
  O demônio fez um gesto com a mão e o vampiro foi arremessado janela à fora, estilhaçando o vidro e desaparecendo.
   - Isso que dá trabalhar com essas criaturas.
   - Concordo.
  - Azriel, certo? Conheço você, o anjo indiciplente.
   - Acho que o correto é indisciplinado.
   - Dane-se - resmungou. - O que o trás aqui?
   - Me mandaram matar você, parece que está causando alguns problemas.
   - E acha que vai conseguir? - Sorriu.
   - Sinceramente - disse, então a sua espada cai de dentro da manga do casaco e ele a segurou pelo punho -, acho.
  Deu um passo à frente, mas então o demônio estendeu a mão e o jogou contra a parede. A batida fez com que a espada caísse de sua mão e fosse parar em um canto da sala, fora de seu alcance. Az'ho tentou manter ele ali, mas o anjo revidou com sua própria onda telecinética que empurrou o demônio para trás e o fez bater na escrivaninha. Tentou localizar a sua espada, mas o demônio agarrou a escrivaninha e a arremessou na direção dele. Azriel escapou do impacto se jogando para o lado e caindo rolando no chão, mas a escrivaninha por sua vez se estilhaçou contra a parede.  
   - Essa passou perto.
   - A próxima vai acertar - Az'ho correu na direção dele.
  Azriel não era especialista em combates corpo a corpo, mas foi isso que se seguiu. O demônio tentou acertar um soco em seu rosto que ele bloqueou com o antebraço, mas o próximo o atingiu nas costelas e o fez cambalear um pouco para trás. Seu adversário fechou a mão em um punho e golpeou o ar, o atingindo com um golpe telecinetico que o jogou de costas contra uma estande de livros a fazendo desmoronar.
   - Assim que eu levar você para o Inferno, meu mestre vai me tirar desse lugar imundo e me pôr em uma de suas legiões, onde de fato eu mereço estar - o demônio continuava a avançar na direção dele.
  O celeste jogou um livro que estava sobre ele para o lado e se levantou, limpando com as costas da mão um filete de sangue que saia pela boca.
   - Acho que não vai rolar. Muito quente pro meu gosto.
  O infernal sorriu e o atacou, tentando acertar outro soco no seu rosto. Azriel por sua vez segurou o golpe com uma mão e torceu o braço dele para trás, fazendo com que se virasse de costas e passando um braço ao redor do seu pescoço.
   - Agora você morre - sussurrou.
   - Não... - o demônio resmungou, sem fôlego para falar, então se jogou para trás fazendo com que o anjo batesse as costas novamente contra a parede.
   Sentindo a dor do impacto, mas sem soltá-lo, Azriel localizou sua espada por cima do ombro dele, caída do outro lado da sala. Enquanto fazia força para manter o demônio preso, o anjo se concentrou na espada, fazendo com que ele levantasse do chão e viesse em sua direção como se fosse um dardo.  A espada se fincou no estômago do infernal, por pouco não o atingindo também, e tudo que Azriel ouviu a seguir foi o grito do demônio enquanto sua essência era destruída.
  Largou o receptáculo sem vida, que caiu inerte no chão. Puxou a espada e limpou o sangue no terno do cadáver, então a guardou dentro do casaco. Deu uma última olhada para o que um dia fora um belo escritório, mas que agora havia se transformado em uma zona de guerra, com cacos de vidro, livros e pedaços de madeira espalhados para todos os lados, além de duas paredes rachadas e um corpo ensanguentado. Missao cumprida, mas não era bom sair pela porta, onde daria de cara com todos lá em baixo que certamente ouviram a briga. Por isso, simplesmente caminhou até a janela com o vidro quebrado e saltou para a rua deserta.








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Re: Sabotagem - One Post [Azriel]

Mensagem por Merlin em Sab Jun 11, 2016 6:55 pm



Azriel



Gramática de 1 a 5

1 -> Acho que você dormiu nas aulas de português.
2 -> O word teria vergonha de você.
3 -> Você come algumas letras, mas nada exagerado.
4 -> Quase perfeito, só faltou revisar mais uma vez.
5 -> Papai word tem orgulho de você!

Sentido de 1 a 5

1 -> O que? Achei que você estava de verde!
2 -> Como assim ele foi, mas depois estava indo?
3 -> Tem certeza que você sabe o que esta fazendo?
4 -> Acho que deveria olhar mais uma vez e talvez alcance a perfeição.
5 -> Parabéns você tem a noção perfeita e com toda certeza é o queridinho em redação!

Movimentação de NPC, de 1 a 5

1 -> O personagem mal sabe movimentar-se com a espada.
2 -> É melhor cuidar para não machucar alguém com essa lamina.
3 -> Você cria lutas, porém elas não saem aquela coisa.
4 -> Você até sabe se movimentar e criar lutas, porém se fala algo seu personagem para de existir.
5 -> Suas lutas saem boas, seu personagem não é tão invencível e você ainda consegue falar enquanto ataca.

Narração, de 1 a 5

1 -> Você não tem noção do que esta fazendo.
2 -> Você até sabe fazer bons diálogos, mas quando se trata de lutas.
3 -> Você sabe para onde levar a historia no começo, porém no meio acaba se perdendo.
4 -> Tem a noção básica para escrever uma história.
5 -> Você sabe como fazer diálogos, lutas e ainda faz todos pararem para assistir.

Avaliação final:
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